quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Carta de um Policial Militar morto em pleno serviço


Neste último sábado, dia 21 de janeiro de 2012, o Policial Militar Alex Suzarte, que foi morto durante uma perseguição a dois assaltantes. Ele escreveu um poema poucos meses antes de morrer relatando a rotina de ser policial. Intitulado de ‘Enquanto todos dormem’, o poema descreve algumas dificuldades enfrentadas pela vítima a cada turno do trabalho.
Enéias Suzarte, pai de Alex, afirmou em entrevista ao G1 que desconhecia o hábito do filho de escrever cartas e poemas e que soube do conteúdo da carta apenas durante o velório. “A gente não sabia dessa carta com esse poema. Ele escreveu e pediu para a esposa guardar sob a condição de que caso acontecesse algo com ele, a carta deveria ser lida para todos”, declarou. O pai do policial afirmou também que com a morte do filho, outras cartas e poemas surgiram. “Só a esposa sabia. Eu acabei de ler uma carta que ele falava de anjos e que, no final, dedicou aos quatro anjos da vida dele, que eram a mãe e os três filhos”, contou emocionado.
O policial era casado e deixou três filhos, o menor deles, uma menina de apenas 10 meses de idade. Alex finalizou o poema com uma dedicatória. “Este texto eu dedico a todos os policiais que como eu só desejam voltar para casa vivos”. 

Veja abaixo a íntegra do poema escrito por Alex Suzarte:

"Enquanto todos dormem"


"Enquanto todos dormem eu estou em lugares inimagináveis, matagais intransponíveis, bueiros Fétidos, casas abandonadas entre outros lugares que alguém normal se recusaria a ir.
Enquanto todos dormem eu estou em alerta máximo, tentando não apenas defender pessoas que nunca vi nem mesmo conheço, mas também tentando sobreviver.
Enquanto todos dormem no aconchego de suas casas, debaixo dos cobertores, eu estou nas ruas debaixo da forte chuva, com frio e cansado madrugada a dentro.
Enquanto todos dormem eu estou travestido de herói, e mesmo não tendo super-poderes estou pronto para enfrentar o perigo, para desafiar a morte e quiçá sobreviver.
Enquanto todos dormem estou dividido entre o medo da morte e a árdua missão de fazer segurança pública;
Enquanto todos dormem eu sonho acordado com um futuro melhor, com o devido respeito, com um salário justo com dias de paz, mas principalmente com o momento de voltar para casa e de olhar minha esposa e filhos e dizer-lhes que foi difícil sobreviver a noite anterior, que foi cansativo e até frustrante, mas que estou de volta, e que tenho por eles o maior amor do mundo.
Este texto eu dedico a todos os policiais que como eu só desejam voltar para casa vivo."

Foto: Divulgação / PM










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